Houve um tempo, não muito distante, que o simples ato de participar de uma corrida, era simplesmente proibido para as mulheres.
kathrine switzer maratona mulher
Um tempo que a luta pela igualdade dos direitos ainda não passava de sonho, na cabeça das mulheres mais engajadas nesse movimento.

E é nesse período de tempo, que Katherine Switzer começou a mudar o rumo da história e entrou para sempre, em um seleto grupo de mulheres à frente da sua época, que arregaçaram as mangas e foram à luta.

Desde criança, Katherine Switzer sempre foi estimulada pelo pai, a não ser apenas mais uma, a não se contentar com o usual e querer sempre mais.

Ao dizer para seu pai, que queria ser chefe de torcida, ouviu dele “Ser líder de torcida é algo bobo. Você deve fazer um esporte e ter pessoas torcendo por você”. Ele queria que ela superasse obstáculos e preconceitos e foi o que Katherine fez.
kathrine switzer maratona mulher
A menina, então com 12 anos, começou a treinar para poder entrar no time local de hóquei, correndo 1,6Km por dia, algo que não era visto entre as mulheres. Já no time da escola, ela foi vista pelo treinador de cross country, que pediu para ela participar de uma corrida, pois faltava um integrante. Alí foi o ponto de partida!

Aos 19 anos, já na faculdade de jornalismo, começou a correr “não oficialmente” no time masculino de cross country, quando conheceu Arnie Briggs, o carteiro da escola, que já havia participado da Maratona de Boston quinze vezes. Ele foi de fato o seu primeiro treinador e quem a incentivou a competir em uma maratona.

kathrina switzer maratona mulherUm ano depois ela se inscreveu na Maratona de Boston “Achamos engraçado não ter nenhuma especificação de sexo na inscrição para a prova, já que só homens loucos participavam dela. Acabei me inscrevendo com o nome de K.V. Switzer, não por medo de ser pega, mas pelo meu sonho de ser escritora e minhas referências literárias na época, J.D. Salinger, E.E.Cummings, T.S. Elliot e W.B. Yeats” afirmou a atleta.

No dia da prova nevava e ventava muito e o mais surprendente é que sua presença alegrava aos demais competidores, mas Jock Semple, um dos diretores da prova se mostrava extremamente contrariado.

“Quando me viram, os fotógrafos começaram a gritar “tem uma garota na corrida!” Eu não estava tentando me esconder de maneira nenhuma, pelo contrário, eu estava tão orgulhosa de mim mesma que usava até batom. Jock era conhecido por seu temperamento violento. Em um determinado momento, ele se enfureceu e veio correndo atrás de mim, gritando “saia da minha prova e me dê esse número de peito!” Eu morri de medo. Para minha sorte, meu namorado Tom Miller, de 115 kg, conseguiu empurrá-lo, enquanto Arnie gritava “corra que nem uma louca!”. O resto é história. Minha presença infame não foi oficialmente registrada pela organização. Terminei em torno de 4h20m” descreveu a corredora.
kathrine switzer maratona mulher hall of fame
O direito de participar de corridas só foi concedido às mulheres cinco anos depois, em 1972.

Em sua carreira, Kathrine correu 35 maratonas, criou programas esportivos para mulheres em 27 países, viaja o mundo promovendo corridas e caminhadas femininas, escreveu o livro “Mulher de Maratona” e integra, desde 2011, o seleto grupo pertencente à calçada da fama das mulheres dos Estados Unidos.

http://globoesporte.globo.com
http://www.marathonwoman.com/